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quinta-feira, 18 de junho de 2015

Um exemplo a ser seguido - Criativos e cheios de personalidade.

Jovens colocam a mão na massa e apostam em maneiras lucrativas de fazer negócio.



Abrir a própria empresa é o sonho de muitos brasileiros, mas para quem ainda é jovem e não tem recurso para investir na ideia, a força de vontade é o segredo do negócio. Por isso, ser precoce no mundo das vendas não é um problema para aqueles que decidem obter uma fonte de renda a partir de pequenas estratégias. Hoje, com o fortalecimento do capitalismo, muitos estudantes conciliam o tempo entre a universidade e colocam, literalmente, a mão na massa, com o objetivo de obter lucro e aumentar a clientela, seja na faculdade ou mesmo na vizinhança.
A necessidade de consumo da sociedade moderna e o acesso à informação permitiram que os jovens da nova geração tenham uma linha de raciocínio muito mais visionária que os empreendedores do passado. Mesmo sem grande potencial econômico ou patrocínio dos pais para abrir uma loja física, muitos deles apresentam ideias criativas com base no marketing, na contabilidade e nas iniciativas organizacionais aprendidas na sala de aula. 
Buscando experiência e independência financeira, os jovens Júlia Tavares Martins, de 20 anos, e Pedro Ribeiro Moreuw, 18, decidiram colocar em prática suas habilidades culinárias e apostaram na venda de produtos caseiros, mas tudo com muita personalidade e criatividade. Júlia cursa processos gerenciais e Pedro faz engenharia de produção, porém, a trajetória deles é bem parecida. Os dois perceberam que os amigos da faculdade poderiam se tornar clientes em potencial, caso aprovassem as guloseimas.
Até a Páscoa do ano passado, Júlia não tinha noção do lucro que conseguiria com a venda de brigadeiros e brownies. A ideia só surgiu quando resolveu presentear os professores com os doces caseiros e ouviu de um deles que ela tinha “uma mina de ouro” nas mãos, e precisava investir nos dotes culinários. Ao perceber que poderia explorar seu potencial no campus onde estuda, Júlia começou a preparar brigadeiros para vender na sala de aula por R$ 1,50, e os brownies por R$ 6. 
Em pouco tempo, estudantes de outros cursos também começaram a procurar os doces preparados por Júlia e o negócio expandiu. Atualmente, a jovem contabiliza lucro mensal de R$ 600. E o valor tem depósito certo: a poupança, que será usada apenas em setembro, quando ela embarca para a Europa, onde fará intercâmbio por seis meses.
“Em poucos meses, eu não precisava mais ir até os ‘clientes’, eles é que passaram a procurar pelos meus produtos. E com o aumento das vendas, notei a necessidade de investir na imagem para agregar valor ao produto. Criei uma marca simbólica e desenvolvi uma planilha de lucros e custos para manter o controle das finanças. Hoje, o que ganho com a venda dos doces é proporcional ao valor pago em alguns estágios na minha área. Sendo assim, ao voltar para o Brasil e concluir minha graduação, pretendo me dedicar integralmente ao negócio, porque meu plano é abrir um cyber café em Niterói com foco no público jovem”, planeja a estudante.
Já Pedro contou com a ajuda de uma prima para aumentar a renda mensal, quando concluiu que o dinheiro da mesada que ganhava do avô não era suficiente para arcar com seus gastos. Há cerca de dois meses, ele aprendeu com ela a fazer brownies e saiu por aí vendendo cada um a R$ 3 para os vizinhos. O estudante confessa que na primeira investida a receita desandou, mas o erro não o desanimou. Após incessantes tentativas, o brownie ganhou consistência, diferentes recheios e muito sabor. Seus clientes mais fiés são os colegas de turma, que gostaram tanto que passaram a encomendar o doce para presentear amigos e parentes. Assim, Pedro triplicou o negócio atingindo a marca de mais de 70 brownies vendidos por dia.
O jovem conta que percebeu que o segredo do negócio estava nas ações de marketing e na satisfação dos consumidores. Com esta iniciativa, diversificou ainda mais o negócio e passou a oferecer, além da versão tradicional, o brownie com recheio de doce de leite, limão, paçoca... tudo a pedido dos internautas. Além disso, no tempo livre, ele ainda faz entregas de bicicleta em Santa Rosa, bairro onde mora, e conta com a ajuda da namorada para ampliar as vendas na Região Oceânica.
“Em média, meu lucro chega a 200%. Contudo, gasto com a personalização das embalagens. Para alcançar minha meta mensal de vendas, concilio minha rotina entre a cozinha e a sala de aula. Vou para a faculdade de manhã, faço os brownies à tarde e estudo à noite. Em época de prova, aumento o número de fornadas duas semanas antes e reservo um bom estoque na geladeira, com o objetivo de manter a proporção de venda. Atualmente, não gasto o capital lucrativo, uma vez que planejo aplicar esse montante na poupança. Já em relação ao crescimento do negócio, minha pretensão é comercializar os brownies em padarias e restaurantes da cidade e, paralelamente, atuar como engenheiro”, afirma o universitário.
De acordo com a diretora da Câmara de Dirigentes Lojistas Jovem (CDL Jovem), Roberta Rocha, que está à frente da ação criada pela instituição para auxiliar os novos empreendedores da cidade, é possível aumentar o capital de giro e expandir o negócio por meio de estratégias mercadológicas. Ela explica que mesmo sem obter uma verba expressiva, o microempreendedor pode aumentar a margem de lucro priorizando o atendimento ao cliente. Além disso, Roberta enfatiza que o bom relacionamento com o consumidor é uma das formas de garantir a satisfação do comprador. 
“O jovem deve traçar metas alcançáveis e mensuráveis para chegar ao seu objetivo. São os planos astuciosos que determinam as diretrizes do negócio. Desenvolver planilhas de resultado é uma medida eficaz para dobrar as vendas e investir no aumento do estoque nas épocas mais lucrativas. Contudo, é válido destacar que agradar o cliente com promoções inteligentes e vantagens é um dos segredos do empreendedorismo. Por isso, investir no pós-venda, ouvindo a opinião do consumidor de forma gentil é um diferencial que abrange o potencial de clientes”, orienta a diretora.
Ainda que a força de vontade seja crucial para o progresso do negócio, para Bruno Conti, 27, a fonte de renda surgiu de uma forma bem despretensiosa e a partir de um hobby. Formado em relações internacionais, até o fim do ano passado Bruno trabalhava no mercado de câmbio, mas seu rumo profissional mudou há poucos meses, quando saiu do emprego. Com o tempo livre, ele passou a surfar com bastante frequência e encarava as ondas praticando handplane, que é uma espécie de bodysurf com o auxílio de uma miniprancha nas mãos.
Para a surpresa dos amigos, a prancha artesanal que Bruno usava tinha sido desenvolvida por ele há dois anos. A produção foi em casa mesmo. Então, bastou falar sobre sua habilidade para trabalhar com materiais ecológicos que as encomendas começaram a surgir. Com o investimento inicial de R$ 600, que ele tirou de uma parte da rescisão do antigo trabalho, Bruno comprou madeira, serra, lixa, tintas, verniz e outras ferramentas para montar sua oficina. À medida que a clientela crescia, aumentava a criatividade do jovem em desenvolver shapes, designs e modelos de pranchas diferentes. Ao todo, Bruno fabrica aproximadamente sete minipranchas por semana, e lucra no fim do mês até R$ 6 mil.
“Minha tabela de preço varia em três valores, porque estabeleço o custo de acordo com a hora trabalhada no material e na qualidade da madeira. Em geral, levo seis horas para concluir uma prancha, porém, algumas modelagens demandam mais dedicação. Embora não tenha estudado estratégias de administração, organizo o volume de serviço e avalio semanalmente a porcentagem de custo e benefício. Tento não ser ganancioso, porque estou no início do negócio e pretendo crescer segmentando meu público. Em Niterói, é grande o número de surfistas e admiradores do esporte, por isso, acredito que meu trabalho tem tudo para evoluir”, avalia Bruno.
Segundo o especialista em empreendedorismo, Fabiano Simões, os jovens que estão iniciando no setor devem estruturar um plano de meta antes de ambicionar a alta lucratividade. Fabiano explica que a razão pela qual muitas empresas decretam falência no primeiro ano de atuação é devido à falta de perspectiva de marketing, finanças e análise de concorrências.
“Percebo que muitos jovens apresentam extrema ansiedade em lucrar e expandir os negócios, mas não investem em ações mercadológicas. É óbvio que nesta geração temos muitos profissionais com talento e dom para o empreendedorismo, contudo, o êxito vem por meio das estratégias”, afirma Simões.
 Para aqueles que estão galgando seus primeiros passos no mercado, o especialista dá uma sugestão: “O valor dos produtos comercializados deve ser estipulado de acordo com esforço da mão de obra. Em relação à renda adquirida, o ideal é que nos seis primeiros meses, o jovem invista esta verba em propaganda e na qualificação do serviço para que, posteriormente, eles obtenham um montante significativo para investir em uma possível loja física no futuro”.
http://www.ofluminense.com.br/pt-br/content/criativos-e-cheios-de-personalidade




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